O futebol moderno vem tratando cada vez mais sobre a periodização tática e os seus efeitos no jogo de futebol. As escolas mais modernas trabalhadas como técnicos de referência como Guardiola, Klopp, Mourinho, entre outras lendas do ensino de futebol abordam mais esse modelo como melhor forma de treinamento para ter bons resultados. O futebol brasileiro não quer ficar para trás e por intermédio da CBF foi criada a CBF Academy que preza pelo desenvolvimento do futebol brasileiro por meio de cursos, palestras, workshops, entre outros.

Garganta (2007) preconiza que o futebol só faz sentido se entendido dentro de uma proposta tática, com o treino visando a implementação de uma “cultura para jogar”. Ou seja, a forma de jogar é construída e o treino consiste em modelar os comportamentos e atitudes de jogadores/equipes, através de um projeto orientado para o conceito de jogo/competição.

Já Faria (1999) define periodização tática como uma decomposição do fenômeno jogo/complexidade, articulando-o em ações complexa que determinam a forma de jogar. Esta articulação surge em função do que se pretende ver instituído – um conceito de Ações intencionais, uma cultura de jogo e por consequência uma adaptação específica que é a Tático-Sistêmica, arrasta consigo aspectos de ordem técnica, física e psíquica.  Segundo Frade (2003) a tática emerge a partir da relação intencional das ditas dimensões técnica, física, psicológica e estratégica.

Já falamos aqui sobre o princípio da especificidade que aborda que o treinamento deve ser montado levando em conta a individualidade biológica do atleta e requisitos específicos do esporte ao qual o atleta está envolvido, analisando o sistema energético preponderante, capacidades e habilidade utilizadas, entre outros. Ou seja, um bom jogador é construído pela relação das capacidades físicas, técnicas, cognitivas e táticas. Caso contrário, os melhores equipes de futebol seriam formadas apenas por maratonistas quenianos, Usain Bolt e Arnold Schwarzenegger, sendo os mais resistentes, rápidos e fortes. Craques como Messi e Neymar, por exemplo, contrariam esse exemplo, mostrando que é fundamental o trabalho técnico das habilidades do futebol em conjunto com as capacidades físicas, cognitivas e táticas.

O Crossfute tem como base a utilização de treinamento funcional aliado ao futebol, trabalhando as vertentes técnica, física, cognitiva e, por vezes, estratégica do esporte. Contudo, o principal objetivo da modalidade é desenvolver o indivíduo de forma integral, objetivando resultado e diversão. A alegria do futebol é o principal agregador do treinamento que visa, principalmente, a melhoria do rendimento físico, técnico e cognitivo de cada praticante, alcançando o que a atividade física em geral se propõe que é corpo são e mente sã.

Ocasionalmente serão trabalhados conteúdos estratégicos e táticos do futebol, mas isso surge de uma base e premissa que é necessário estar aliada a parte física, técnica e cognitiva de cada indivíduo. E quais são esses conhecimentos técnicos trabalhados no futebol?

Freire (2006) aborda que as principais habilidades futebolísticas utilizadas são: passe, controle de bola, condução, drible, desarme, cabeceio, finalização, abaixo conceituadas:

  • Passe é o ato de entregar a bola diretamente ao companheiro ou lançá-la em um espaço vazio, podendo ser feito de forma aérea ou rasteira. O passe é tido como a ação que torna o esporte coletivo. Também tido como lançamento, ou passe longo, que é o ato de chutar a bola em direção a um companheiro distante, necessitando de uma certa habilidade para a execução da atividade.
  • Controle de bola/domínio é definido como o ato de reter a bola em condições de realizar uma jogada, podendo ser feito com o pé, coxa, peito, cabeça ou outra parte do corpo que não seja os braços. O controle é tido como condição base para qualquer jogada no futebol.
  • Condução é tida como a habilidade que permite ao jogador de um ponto a outro do campo, sem ser desarmado, exigindo um excelente controle de bola que irá auxiliar muito na realização de um drible.
  • Drible é a habilidade de evitar que um adversário desarme o jogador que tem a posse de bola enquanto este a conduz ou controla, exigindo velocidade na condução. Muitas bem exemplificadas na condição de fintas desenvolvidas por craques habilidosos como Messi, Neymar, CR7, entre outros. O drible exige velocidade na condução da bola, tirando-a do alcance do adversário. O jogador habilidoso em driblar, geralmente é capaz de enganar o adversário, pela sua velocidade em tirar a bola de seu alcance, ou de mudar rapidamente a direção do próprio deslocamento.
  • Desarme é o principal recurso da defesa, abordando o oponente, buscando obter a posse de bola. O desarme pode ser em situações contra o adversário ou em antecipação antes que a bola chegue ao oponente.
  • Cabeceio é o ato de golpear a bola com a cabeça, habilidade usada tanto para defender quanto para atacar, necessitando diversas vezes da utilização de saltos para alcançar a bola, bem como encontrar o tempo corretor de acertar a bola.
  • Finalização, em geral, pode ser caracterizada como o ato de chutar para o gol, objetivo maior do futebol. Contudo, também pode ser feito com a cabeça ou com qualquer parte do corpo, necessitando o equilíbrio e algumas habilidades motoras como correr, apoiar-se e chutar.

Para tanto, a técnica é fundamental nesse processo, definida por BARBANTI (1994) como a habilidade esportiva executada racionalmente, baseada na biomecânica e correspondente a uma sequência de movimentos realizada corretamente de determinado exercício. Para a realização de uma boa técnica, é necessário que o movimento seja executado com coordenação, precisão, ritmo, leveza, facilidade e que alcance seus objetivos.

A vantagem do Crossfute é trabalhar todas as habilidades do futebol em conjunto com o treinamento funcional de alta intensidade, alcançando os melhores resultados de uma forma muito mais divertida. A melhor parte é que se direciona para qualquer tipo de público sendo um craque ou não de bola. Melhor que isso só fazendo, cola na gente que é sucesso!

 

Referências Bibliográficas

BARBANTI, V. J. Dicionário de educação física e do esporte. São Paulo, Manole, 1994.

FARIA, R. F. (1999). Periodização Tática. Um imperativo Conceptometodológico do Rendimento Superior em Futebol. Monografia Não Publicada. Porto: Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade do Porto.

FREIRE, J.B. Pedagogia do Futebol. Londrina: Midiograf, 1998 .

FRADE, V. (2003).Entrevista a Vítor Frade. In Martins, F. (2003): A periodização táctica segundo Vítor Frade. Mais que um conceito, uma forma de estar e reflectir o futebol: Monografia de licenciatura: FCDEF-UP, Porto.

GARGANTA, J. (1997). Modelação da Dimensão Táctica de Jogo de Futebol. Estudo da organização da fase ofensiva em equipes de alto rendimento. Dissertação de Doutorado não publicada. Porto: Faculdade de Desporto Universidade do Porto.

Menu